Se o pediatra encaminhou você a um ortopedista pediátrico, é provável que esteja surgindo uma dúvida importante: o que esse especialista faz exatamente ? Pode ser que meu filho precise de cirurgia ? Este artigo foi escrito para ajudar pais nesse momento — com clareza, sem alarmismo.
Quando os pais ouvem a palavra “cirurgia” associada ao filho, é natural que o coração aperte. Por isso, antes de qualquer coisa, quero deixar uma coisa bem clara nesta conversa: a grande maioria dos problemas ortopédicos da infância não termina em cirurgia. A ortopedia pediátrica cirúrgica é apenas uma parte — geralmente a última etapa — de um caminho de cuidado que começa quase sempre com observação, fisioterapia, órteses ou gesso , dependendo da patologia . A cirurgia entra em cena somente quando esses recursos não foram suficientes para garantir o desenvolvimento saudável do osso, da articulação ou do músculo e tendão da criança.
Vamos conversar com calma sobre quando ela realmente se torna necessária, quais sinais merecem atenção e, principalmente, como lidar com o medo que esse tema costuma despertar.
Quando a criança precisa de cirurgia ortopédica?
Na consulta, costumo explicar aos pais que a decisão de operar nunca é tomada de forma isolada ou apressada. Ela é resultado da avaliação de alguns fatores em conjunto, como:
- A condição não respondeu ao tratamento conservador (fisioterapia, órtese, gesso, medicação ou simples observação).
- Existe risco real de comprometimento do crescimento ósseo, já que o esqueleto infantil ainda está em formação.
- Há perda funcional progressiva, ou seja, a criança está perdendo capacidade de andar, correr ou usar o membro com normalidade, nos casos de paralisia cerebral , doenças neuromusculares e síndromes .
- A deformidade tende a se agravar com o tempo, segundo o acompanhamento por exames de imagem.
- Existe dor persistente que não é controlada por medidas conservadoras.
É importante reforçar: muitas condições ortopédicas da infância — como pé chato flexível, joelho em varo ou valgo fisiológico ou pequenas assimetrias de marcha — fazem parte do desenvolvimento normal e tendem a se resolver espontaneamente com o crescimento, sem necessidade de qualquer intervenção.
Sinais que indicam avaliação ortopédica urgente
Existem, no entanto, situações em que o tempo é importante e a avaliação não deve ser postergada. Se você notar algum dos sinais abaixo no seu filho, vale buscar atendimento ortopédico com urgência:
- Recusa súbita em apoiar o peso sobre uma perna, especialmente se acompanhada de febre — isso pode indicar um processo infeccioso na articulação ou no osso.
- Deformidade visível em um membro após queda ou trauma, com dor intensa e inchaço.
- Dor, formigamento, palidez ou ausência de pulso em uma extremidade após uma lesão — esse conjunto de sinais pode estar associado a comprometimento da circulação ou dos nervos e merece avaliação imediata.
- Incapacidade de movimentar um braço ou perna após um acidente.
Essas condições necessitam a procura imediata de um Pronto Socorro com Ortopedista Pediátrico.
Atualmente , não realizo mais atendimentos de urgência , pois escolhi me dedicar ao tratamento de pessoas atípicas , com deficiência atletas infantis com lesões por sobrecarga , crianças com deformidades congênitas e doenças neuromusculares .
Condições que costumam exigir cirurgia na infância
Algumas condições ortopédicas, por sua natureza, têm maior probabilidade de necessitar de tratamento cirúrgico em algum momento da infância ou adolescência. Entre as mais frequentes na prática clínica, estão:
- Fraturas com desvio significativo, em que o alinhamento do osso não pode ser restabelecido apenas com gesso.
- Displasia do desenvolvimento do quadril que não respondeu ao uso do suspensório de Pavlik nos primeiros meses de vida ou crianças maiores sem tratamento prévio
- Pé torto congênito negligenciado em crianças maiores .
- Escoliose com curva progressiva, quando o colete não foi suficiente para conter o avanço da curvatura.
- Epifisiólise femoral proximal, escorregamento da cartilagem de crescimento da cabeça do fêmur , uma alteração do quadril mais comum em adolescentes
- Infecções osteoarticulares, como osteomielite ou artrite séptica, quando há necessidade de drenagem cirúrgica associada ao tratamento com antibióticos.
- Discrepâncias de comprimento dos membros consideradas clinicamente relevantes, que podem ser tratadas com procedimentos que modulam o crescimento ósseo.
- Deformidades rígidas em pacientes com Paralisia Cerebral ou Doenças Neuromusculares
Como o ortopedista decide se vai ou não operar?
Essa é, talvez, a pergunta que mais ouço no consultório. A resposta não é simples, porque envolve cruzar várias informações sobre aquela criança específica — não existe uma fórmula única que sirva para todos os casos. Entre os fatores que avalio com atenção, destaco:
- A idade da criança e o potencial de crescimento restante, observado por meio da radiografia da mão e do punho (idade óssea).
- A gravidade e a velocidade de progressão da deformidade ou condição.
- O impacto real na função: a criança consegue brincar, correr, participar das atividades escolares sem limitação importante?
- A resposta observada ao tratamento conservador já realizado.
- Os achados de exames de imagem, como radiografia, ultrassonografia ou ressonância magnética.
- O equilíbrio entre riscos e benefícios de operar agora, esperar mais um pouco, ou simplesmente continuar observando.
Esse processo é conduzido em conjunto com a família e, sempre que possível, com a participação de fisioterapeutas e outros profissionais envolvidos no cuidado da criança. Quando a cirurgia é indicada, o objetivo costuma ser o controle da deformidade, a remissão dos sintomas dolorosos ou a melhora funcional . Além disso , o procedimento invasivo é apenas uma parte do tratamento , que envolve os cuidados pré e pós-operatórios , reabilitação, uso de órteses , partipação ativa dos familiares e paciente no processo. Costumo frisar que o acompanhamento ortopédico vai até o fim do crescimento , mas muitos pacientes merecem seguimento mesmo após a maturidade esquelética .
Tenho medo da cirurgia — e agora?
Esse medo é absolutamente compreensível, e quero que você saiba que ele não é exagero nem fragilidade. A ideia de uma cirurgia no próprio filho mobiliza emoções intensas em qualquer pai ou mãe, e mesmo a criança, dependendo da idade, pode sentir ansiedade ao entender o que está por vir.
Algumas coisas costumam ajudar bastante nesse momento:
- Converse abertamente com o ortopedista sobre cada etapa do procedimento, os cuidados antes e depois, e o que esperar durante a recuperação.
- Pergunte sobre a equipe envolvida — em centros pediátricos, a anestesia e o acompanhamento clínico são feitos por profissionais especializados em crianças.
- Prepare a criança com linguagem adequada à idade, usando livros infantis sobre hospital ou brincadeiras que expliquem o processo de forma lúdica.
- Não hesite em expressar suas dúvidas e medos durante a consulta; faz parte do meu trabalho ajudar a família a se sentir mais segura com as informações.
- Procure acompanhamento psicológico pré e pós -operatório: o amparo de um profissional pode reforçar a importância do tratamento e facilitar sua aceitação ,amenizar o sofrimento psicológico além de fortalecer a auto-estima do paciente .
A cirurgia ortopédica pediátrica, quando bem indicada, é hoje um procedimento realizado com protocolos de segurança bastante consolidados, conforme orientações de sociedades como a SBOT e SBOP , além de sociedades internacioanais.. Isso não elimina o desconforto natural de passar por esse momento, mas ajuda a colocar o medo em perspectiva.
Se o seu filho apresenta algum dos sinais que conversamos aqui, ou se você simplesmente está com dúvidas sobre o desenvolvimento ortopédico dele, o melhor caminho é agendar uma consulta. Assim, conseguimos avaliar a situação com calma, com anamnese completa , exame físico detalhado e, se necessário, exames de imagem, para fornecer uma orientação clara e personalizada — sem alarmismo, mas também sem negligenciar nada que mereça atenção.
Eu, Dra. Dulce , atendo presencialmente em Moema, São Paulo, ideal para famílias que receberam encaminhamento do pediatra e buscam um ortopedista pediátrico de confiança. Também realizo consultas online para todo o Brasil e mundo. Venha me conhecer e visitar a Clínica Getmoving !